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A newsletter tinha nove mil e seiscentos leitores, cinco edições por semana e trinta e nove por cento de abertura média. O bloco final vendia inserção a mil e duzentos reais e era o único inventário com contrato mensal assinado.
O teste rodou numa quarta-feira comum, sem tema especial. A lista foi dividida ao meio de forma aleatória, quatro mil e oitocentos leitores de cada lado, mesmo assunto, mesmo horário de disparo, mesmo remetente.
As duas versões tinham mil e cento e oitenta palavras, os mesmos parágrafos, os mesmos links, o mesmo bloco final palavra por palavra. A única diferença estava na primeira frase da edição.
A versão que entregou o número abria assim: quarenta e dois por cento dos assinantes de uma newsletter diária nunca abrem uma segunda edição depois da primeira. Dado na cara, sem aquecimento.
A versão que preparou terreno abria com a cena de um editor olhando o relatório da própria lista numa manhã de segunda, com o café esfriando ao lado. O mesmo número aparecia, íntegro, no terceiro parágrafo.
A abertura das duas versões fechou empatada, trinta e nove vírgula um contra trinta e nove por cento. Assunto igual gera abertura igual, e o teste nem pretendia mexer nesse número.
A régua de rolagem foi o primeiro corte a separar as duas. Na versão com o número na primeira linha, cinquenta e oito por cento dos abertos chegaram à marca final da edição. Na versão com a cena, quarenta e um por cento.
Dezessete pontos de diferença, provocados por uma frase. Nenhum outro elemento da edição mudou, nem imagem, nem tamanho, nem ordem de seção.
O clique do bloco final seguiu o mesmo caminho, com folga maior. Três vírgula oito por cento de clique sobre os abertos na versão do número, contra dois vírgula dois por cento na versão da cena.
Setenta e três por cento a mais de clique num bloco idêntico, com a mesma copy e o mesmo link, alcançado por uma quantidade maior de gente que ainda estava lendo quando ele apareceu na tela.
O clique total quase não denunciou a diferença. Cinco vírgula nove por cento contra cinco vírgula seis, porque a versão da cena recolhia cliques no meio do texto, onde o leitor ainda estava.
O leitor não abandona a edição no fim, abandona no segundo parágrafo, e o bloco final só recebe quem sobreviveu à primeira frase. |
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