Andy Weir vendeu "Perdido em Marte" por 99 centavos

🗞️ News Makers: Edição #69

Astronauta com caderno aberto em Marte sob luz magenta

O programador sem vida social

2009. Andy Weir tinha trinta e poucos anos e estava sentado num cubículo programando havia mais de duas décadas. Programava desde jovem.

Trabalhou em empresas grandes, AOL inclusive, sem grandes feitos, sem nome reconhecido. Casa, contas, código.

Tinha um vício antigo: ficção científica. Lia tudo, conhecia a física, gostava de pensar em problemas técnicos de astronaves como outras pessoas pensam em time de futebol.

Naquele ano começou a brincar com uma ideia: um astronauta abandonado em Marte tentando sobreviver com o que tinha à mão. Não era pra ser um livro. Era um exercício mental, um passatempo de fim de semana.

Pra liberar espaço no dia, Andy cortou o que dava pra cortar. Falou disso depois numa entrevista: não tinha vida social. Os fins de semana foram pra escrita. As noites também.

Não era romântico. Era a única conta que fechava.

Cubículo de programador iluminado por monitor magenta

Um capítulo a cada dois meses

Andy postava no próprio site. Visual sem graça, sem layout caprichado, sem promessa nenhuma de virar livro.

Subia um capítulo, esperava dois meses, subia o próximo.

A mailing list não era grande. Cerca de três mil pessoas acompanhavam. Quase todos fãs de ficção científica. Muitos eram cientistas e engenheiros de verdade.

Os leitores faziam uma coisa que ele não esperava. Liam o capítulo novo, achavam furos na física, mandavam o cálculo certo. Andy aceitava. Voltava em capítulos antigos, corrigia o número, reescrevia o trecho.

Esse foi o ciclo entre 2009 e 2012: escrever, postar, ouvir os leitores, corrigir, escrever de novo. Três anos. Capítulos lentos.

Um astronauta tentando, no papel, sobreviver em Marte. Um programador tentando, na vida real, encaixar a história nos respiros que tinha.

Sem agente, sem editora, sem expectativa de virar nada.

Só o próximo capítulo.

Monitor CRT com blog rudimentar e ampulheta

Noventa e nove centavos

Em 2012, os leitores começaram a reclamar do site. Ler um livro inteiro na tela do computador cansa. Pediram pra Andy disponibilizar a história no Kindle.

Ele cedeu. Em setembro daquele ano, publicou.

Queria deixar gratuito. A Amazon não permitia. O mínimo possível era 99 centavos de dólar — algo como dois reais no câmbio da época. Andy aceitou e seguiu.

Numa entrevista, ele contou esse trecho como quem pede desculpa: queria de graça, não deixaram, ficou nos 99 centavos porque era o mínimo permitido pela plataforma.

Três anos escrevendo. Três mil leitores fiéis. Cientistas corrigindo cada número fora do lugar.

E quando finalmente faz sentido lançar comercialmente, Andy cobra menos do que um café. O preço foi resignação com uma regra de loja, não cálculo de mercado.

O livro nunca foi sobre dinheiro pra ele. Era sobre terminar a história.

E o detalhe dos 99 centavos vale por toda a estratégia de marketing que ele não fez.

Kindle ao lado de moeda de 1 centavo sob luz magenta

A mentira do sábado livre

Quase toda newsletter morre esperando o sábado livre.

Você ouve a frase em palestras de produtividade, em entrevistas com escritores que já chegaram, em conselhos de fim de ano:

  • "Preciso de um tempo seguido."
  • "Uma semana de férias."
  • "Um retiro."
  • "O dia em que as crianças crescerem."
  • "O ano em que a empresa rodar sozinha."

Andy Weir não esperou.

Continuou programando durante o dia. Escreveu de noite. Postou capítulos lentos durante três anos. Publicou no Kindle quase de graça.

E aí veio a parte que parece sorte.

Em três meses, 35 mil cópias vendidas. O livro foi pra lista dos mais vendidos do Kindle. Uma editora do grupo Random House apareceu, ofereceu contrato, comprou.

Em 2014, "Perdido em Marte" foi relançado por uma das maiores casas editoriais do mundo.

Em 2015, Ridley Scott dirigiu. Matt Damon estrelou. Sete indicações ao Oscar.

Parece sorte. Não é.

É o que sobra de três anos publicando devagar, com quase ninguém olhando.

Quando o ofício termina, a sorte aparece como recompensa. Sem o ofício, ela não tem onde aterrissar.

Pilha de livros com astronauta na capa e projeção magenta na parede

Os seus respiros

Andy tinha os respiros dele. A noite depois do código, os fins de semana sem amigos pra ver, os intervalos que sobravam de uma vida normal de programador.

Você tem os seus:

  • O caminho até o trabalho.
  • A hora antes do almoço.
  • Os quinze minutos entre uma reunião e outra.
  • A meia hora depois das crianças dormirem.
  • O tempo morto que você gasta no Instagram sem perceber.

Não precisam ser muitos. O Andy só publicava de dois em dois meses. O que ele tinha era a teimosia de não deixar nenhum passar sem aproveitar.

Andy escreveu nos respiros. Você tem respiros. Falta abrir o caderno.

O caderno aceita companhia

Andy fez sozinho. Levou três anos.

Tem outro caminho — mais rápido, com método e gente do lado. É o que abrimos agora.

A Turma 4 do Grupo de Implementação Viver de News começa 27 de maio. Eu e o Lucas construímos, com cada participante, uma newsletter do zero aos primeiros R$ 6 mil por mês. Seis semanas. Seis encontros ao vivo no Zoom. Quartas-feiras, 15h.

Funciona como a mailing list dos cientistas que corrigiam a física do Andy — só que agora os cientistas olhando o seu trabalho semana a semana somos eu e o Lucas.

  • Início: 27 de maio (próxima quarta)
  • 6 encontros ao vivo no Zoom — quartas, 15h
  • 10 vagas totais — 6 ainda em aberto

Quando as cadeiras acabarem, a página vira lista de espera para a próxima turma.

Quero saber mais →

P.S. Garantia dupla. Participa do primeiro encontro, e se em até 7 dias sentir que não é pra você, devolvemos 100% do investimento.

Grande abraço,

News Makers

Sobre a News Makers

A News Makers é a primeira agência especializada em Newsletters e FuNews® de vendas inteligentes no Brasil.

Geramos R$ 200+ milhões em vendas por meio de estratégias comprovadas de captação, conexão e conversão.

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