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Bloco de vagas a R$ 180 trouxe 5 de 7 empresas de volta

O preço por vaga, o teto de quatro por edição e a contagem das empresas que voltaram a pagar no mês seguinte.

Mural de vagas em papel sob luminária magenta

O mural de vagas sob a luz da luminária

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R$ 180 por vaga. Foi o preço que a agência pôs no bloco de vagas da newsletter diária em agosto de 2026, depois de um ano publicando anúncios de emprego de graça.

Renata Alves, que cuida da receita da newsletter na agência, abriu a planilha do bloco numa segunda de manhã. Três empresas apareciam ali havia doze meses: a contabilidade Lemos & Filhos, a fábrica de software Tramo e a clínica Vida Plena. Nenhuma tinha pago um centavo.

O bloco nasceu como favor. Um cliente pediu para divulgar uma vaga de assistente, a equipe colou três linhas no fim da edição e o anúncio trouxe 40 candidatos em dois dias. O cliente agradeceu, voltou na semana seguinte e indicou dois conhecidos. Ninguém na equipe chegou a perguntar quanto valia aquele espaço.

Em um ano, o bloco cresceu sem regra. Havia edição com sete vagas empilhadas e edição sem nenhuma. A mesma vaga da Tramo ficou onze semanas no ar, porque ninguém avisava quando ela fechava.

A newsletter tinha 18 mil leitores, quase todos donos ou gestores de pequenas empresas. Para quem contrata, a audiência valia dinheiro. Para a agência, o bloco ocupava espaço, tempo de revisão e nenhuma linha da receita.

A Renata levou à reunião uma proposta de três números: R$ 180 por vaga, no máximo quatro vagas por edição e uma contagem no mês seguinte, para ver quantas empresas voltavam a pagar sem ninguém ligar para elas.

O receio da equipe cabia numa frase. Se as três empresas de sempre sumissem, o bloco ficaria vazio, e os leitores que procuravam emprego perderiam o motivo de rolar até o fim da edição.

A primeira parte mostra como a cobrança foi montada e anunciada. A segunda conta como o bloco funcionava no tempo da gratuidade. A terceira traz quem pagou, quem voltou e quem saiu.

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I  O Bastidor

Quatro cadeiras no fim da edição

 

Renata Alves escreveu as regras do bloco de vagas pago numa página só, e a primeira regra era o teto: quatro vagas por edição, nunca cinco. Com quatro, o bloco cabe na tela do celular sem rolagem extra.

O número saiu de um teste simples. A equipe montou o bloco com duas, quatro e seis vagas e conferiu na própria caixa de entrada quantas rolagens cada versão pedia no celular. Com seis, a última vaga só aparecia depois de duas rolagens; com quatro, cabia numa.

O preço veio da conta de custo. Cada vaga pedia cerca de 20 minutos de trabalho: receber o texto da empresa, cortar para três linhas, conferir o salário e o link de inscrição. A agência cobra R$ 450 a hora de redação dos clientes, e 20 minutos dariam R$ 150.

A Renata arredondou para R$ 180. A sobra cobre a troca de texto quando a empresa muda a vaga no meio da semana, pedido frequente no tempo do bloco grátis.

Cada vaga paga ganhou um formato fixo:

1. Cargo e cidade, numa linha.

2. Faixa salarial, obrigatória.

3. Uma frase sobre a empresa.

4. O link de inscrição, com prazo.

A faixa salarial obrigatória foi a regra mais discutida. Duas pessoas da equipe acharam que ela afastaria empresas. A Renata manteve, porque os leitores perguntavam pelo salário em quase toda vaga publicada sem faixa.

Vaga paga sai com formato fixo, prazo e faixa salarial.

O aviso às três empresas saiu por email pessoal, um mês antes da mudança. A Renata escreveu que o bloco passaria a ser pago em setembro, explicou o preço e o teto e ofereceu a primeira vaga de cada empresa pela metade, R$ 90, só no primeiro mês.

A venda ficou num formulário curto, com pagamento por Pix antes da publicação. Vaga sem pagamento confirmado até as 16h do dia anterior saía da fila e passava para a semana seguinte.

Cada vaga ficou no ar por cinco edições, uma semana útil. Para manter no ar, a empresa comprava de novo. A regra acabou com a vaga esquecida de onze semanas e deu à empresa um motivo para avisar quando a contratação fechava.

A contagem do mês seguinte foi combinada antes do primeiro Pix. A planilha marcava cada empresa que comprou em setembro e anotava, em outubro, se ela voltou a comprar sem receber lembrete. Recompra com lembrete ficaria fora da taxa.

 
 

II  O Que a Gente Fazia

Um ano de vagas sem dono

 

Durante doze meses, o bloco de vagas da agência funcionou sem preço, sem teto e sem ninguém da equipe responsável por ele. Quem recebia o pedido colava o texto do jeito que a empresa mandava.

A Lemos & Filhos mandava vagas de auxiliar contábil com parágrafos inteiros sobre a história do escritório, fundado em 1987. A Tramo mandava a mesma vaga de desenvolvedor toda semana, sem avisar quando ela fechava. A Vida Plena mandava vaga de recepcionista sem salário e sem endereço.

Os leitores reclamavam respondendo o email. Em junho, a caixa da newsletter recebeu 23 mensagens perguntando pelo salário de vagas do bloco. A equipe repassava a pergunta à empresa, e a resposta quase nunca voltava.

O bloco também pesava na revisão. A editora da newsletter gastava meia hora por dia ajustando vagas, tempo tirado do texto principal. Ninguém tinha anotado esse custo até a Renata pedir o registro de uma semana.

Havia um motivo para manter tudo de graça. As três empresas eram próximas da agência, e a Lemos & Filhos fazia a contabilidade da própria agência. Cobrar parecia ingratidão.

O investidor americano Warren Buffett escreveu, na carta anual aos acionistas da Berkshire Hathaway, uma frase curta sobre preço e valor:

“Preço é o que você paga. Valor é o que você recebe.”

Warren Buffett, carta aos acionistas da Berkshire Hathaway, 2008

No bloco gratuito, as empresas recebiam valor e não pagavam preço nenhum. A agência ficava sem o sinal mais simples de todos: saber quem queria aquele espaço o bastante para pagar por ele.

Espaço sem preço não mostra quem precisa dele.

A equipe tinha tentado organizar o bloco uma vez, em março, com um limite informal de cinco vagas. O limite durou três semanas. Quando a Tramo pediu uma sexta vaga, ninguém quis dizer não a um parceiro.

O bloco também ficava fora de todas as contas da newsletter. A agência sabia quantos leitores clicavam no anúncio principal, mas nunca tinha medido os cliques nas vagas.

A primeira medição, feita pela própria equipe em julho, mostrou 2,1% de cliques por vaga, contra 1,4% no anúncio principal da mesma edição.

Com o número na mão, a Renata parou de tratar o bloco como favor. Ele era o espaço mais clicado da edição e o único sem preço.

 

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III  O Que Mudou

Cinco empresas voltaram sem lembrete

 

Em setembro de 2026, sete empresas compraram vagas no bloco pago, num total de 31 vagas e R$ 5.310 de receita. Em outubro, cinco das sete voltaram a comprar sem receber lembrete, uma taxa de recompra de 71%.

Das três empresas antigas, duas ficaram. A Tramo comprou oito vagas em setembro e passou a avisar quando cada uma fechava, porque vaga preenchida ainda no ar era dinheiro parado. A Vida Plena comprou duas, já com faixa salarial e endereço.

A Lemos & Filhos não comprou. O sócio respondeu o email da Renata dizendo que contratava pouco e que o anúncio grátis era conveniência, não necessidade. A contabilidade da agência continuou com o escritório, sem mudança nenhuma.

As outras quatro empresas eram novas. Três chegaram por leitores que viram o aviso do bloco pago na própria newsletter; uma era cliente da agência em outro serviço.

O resultado do mês coube em quatro números:

1. Empresas pagantes em setembro: 7

2. Vagas vendidas: 31

3. Receita do bloco: R$ 5.310

4. Empresas de volta em outubro: 5

O teto de quatro vagas encheu em 6 das 22 edições de setembro. Nessas edições, duas empresas tiveram a vaga empurrada para o dia seguinte, e nenhuma desistiu da compra.

Empresa pagante avisa quando a vaga fecha, porque cada dia no ar custa.

Os leitores sentiram a mudança. As perguntas sobre salário na caixa da newsletter caíram de 23 em junho para duas em setembro. Os cliques por vaga subiram para 3,4%, com cada vaga trazendo faixa, cidade e prazo.

Das duas empresas novas ausentes em outubro, uma preencheu a vaga e não tinha outra aberta. A outra não respondeu ao email de acompanhamento, e a equipe não sabe o motivo; a planilha registra só a ausência.

A Renata manteve o preço e o teto para o quarto trimestre. A única mudança foi um campo novo no formulário, a data de fechamento da vaga, para a empresa não pagar uma semana inteira por uma vaga já preenchida.

Quantas empresas aparecem hoje de graça na sua newsletter? Responda este email com o número.

Liste as empresas que aparecem de graça na sua newsletter e anote quantas edições cada uma ocupou no último mês.

Escolha um preço por vaga com base nos minutos de trabalho que cada uma pede, e defina um teto por edição.

Hoje: até as 18h, escreva e envie o email de aviso a uma empresa, com preço, teto e data de início.

 
 
 
 

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