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ED 066

O anunciante pergunta o preço às 21h40

Quatro cotações do mesmo espaço no mesmo mês, e o que cada preço entregou de clique e de renovação.

A tabela de preços impressa sob o néon magenta

Nove e quarenta da noite, e a mensagem chega com uma linha só: quanto custa anunciar aí?

Do outro lado tem uma empresa com verba aprovada e pressa de gastar antes do fim do mês. Do lado de cá tem um cursor piscando e nenhuma tabela aberta, porque ela nunca foi escrita.

A conta sai de cabeça, em três minutos. Um número que parece razoável, baixo o bastante pra não assustar quem perguntou, alto o bastante pra não parecer amador.

O número improvisado vira teto. Ele entra no email do anunciante, circula na agência dele e volta na temporada seguinte como a referência do que a casa cobra.

Espaço de anúncio não tem custo de fabricação. Não tem matéria-prima, não tem estoque, não tem hora de máquina pra ratear, e é por falta de piso que o preço escorrega pra baixo na primeira pergunta.

O que está à venda também não é o espaço. É a atenção que a edição empresta por dez segundos, e ela tem tamanho medido: quantas pessoas abriram e quantas clicam quando um link aparece naquela altura do texto.

Tamanho de lista é o número que o criador tem na ponta da língua e o pior de todos pra formar preço. Metade da base pode estar parada há três meses, e o anunciante acaba pagando pela metade que existe.

Do outro lado da mesa o anunciante compara. Ele já compra clique no leilão de anúncio, sabe quanto paga por visita, e o preço da newsletter concorre com um número que ele tem aberto na planilha.

Preço improvisado erra pros dois lados. Baixo demais, a casa entrega audiência boa por menos do que ela vale e ainda atrai quem só procura desconto. Alto demais sem número que sustente, a conversa morre na primeira resposta.

Vale olhar trinta dias em que a mesma posição de uma newsletter pequena foi cotada quatro vezes, por quatro anunciantes diferentes, e cada cotação saiu com um preço.

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I  O Bastidor

Quatro cotações, quinze cliques de diferença

 

Quatro anunciantes pediram preço para a mesma posição em trinta dias, todos pro espaço do miolo, aquele que aparece entre as seções da edição.

A lista tinha oito mil e quatrocentos assinantes e abertura média de quarenta e quatro por cento. Cada inserção aparecia, na prática, para três mil e setecentas pessoas.

A primeira cotação saiu em três minutos, à noite, num aplicativo de mensagem: cento e oitenta reais pela inserção. O anunciante respondeu fechado antes do bom dia seguinte.

Sim rápido demais é recibo de preço baixo. A inserção entregou oitenta e oito cliques, e ele pagou dois reais e cinco centavos por clique.

Dez dias depois veio a segunda, de uma ferramenta de agendamento. O preço subiu pra duzentos e cinquenta reais, sem nenhum número novo pra justificar, só a impressão de que a lista tinha crescido.

A inserção entregou noventa e seis cliques. O anunciante pagou dois reais e sessenta centavos por clique, não perguntou nada e sumiu depois.

A terceira veio de uma agência, por email, com pedido de proposta escrita. Saiu quatrocentos e cinquenta reais pela mesma posição, com relatório de cliques prometido em três dias.

Ela entregou cento e três cliques, quatro reais e trinta e sete centavos por clique, e é a única das quatro que renovou. A agência comprou mais três inserções no mês seguinte.

A quarta chegou pedindo exclusividade da semana. O pedido saiu por seiscentos reais, veio contraproposta de quatrocentos, e a casa aceitou em dois minutos.

A inserção entregou noventa e um cliques. O anunciante pagou quatro reais e quarenta centavos por clique e não voltou.

Quatro inserções, mesma posição, mesmo mês. O resultado entregue variou quinze cliques, de oitenta e oito a cento e três, e o preço pedido variou mais de três vezes, de cento e oitenta a seiscentos reais.

Somadas, as quatro deram mil duzentos e oitenta reais no caixa. No preço da terceira, as mesmas quatro inserções teriam dado mil e oitocentos.

A diferença de quinhentos e vinte reais é a conta do improviso num mês só. Repetida ao longo do ano, ela passa de seis mil reais.

O anunciante mais barato ainda deu o maior trabalho. Ele pediu três trocas de arte, cobrou posição melhor pelo mesmo valor e voltou pedindo desconto maior na conversa seguinte.

Preço improvisado não é generosidade com o anunciante, é desconto dado a quem nem pediu. As quatro inserções entregaram praticamente o mesmo resultado, e só a mais cara comprou de novo.

 
 

II  O Que a Gente Fazia

O preço saía da conversa, não de uma régua

 

O preço nascia na hora da pergunta. Cada cotação era resolvida no improviso, no aplicativo, no meio de outra tarefa, sem nada escrito pra consultar antes de responder.

Preço decidido no susto acompanha o humor do dia. O mesmo espaço saía mais barato numa terça cansada e mais caro numa sexta boa, sem que nada tivesse mudado na lista.

A régua era o tamanho da lista. O total de assinantes ia pro email de resposta como se fosse a medida exata do que o anunciante estava comprando.

Ninguém compra endereço, compra atenção. Quatro mil endereços parados custam o mesmo trabalho de manter e entregam zero clique pra quem pagou.

O primeiro sim vinha com desconto automático. Quem chegava primeiro pagava menos, com a ideia de que o primeiro anunciante abre a porta pros outros.

O primeiro anunciante vira referência de mercado. O preço que ele pagou circula entre agências, e a casa passa o ano inteiro negociando a partir do menor número que já aceitou.

Topo, miolo e rodapé custavam igual. A altura do bloco dentro da edição nunca entrava na conversa de preço.

Cada posição entrega um número diferente de clique, e a diferença é grande. Cobrar o mesmo pelas três é vender o melhor espaço pelo preço do pior.

A inserção saía e o número não voltava. O anunciante recebia o print do bloco publicado e mais nada, nem no dia seguinte nem na semana seguinte.

Sem resultado na mão, a renovação depende de fé. Quem não recebe número compara pelo preço, e a decisão passa a ser sempre do mais barato.

A gente aceitava qualquer anunciante com verba. Produto fora do tema entrava do mesmo jeito, porque o dinheiro entrava igual no fim do mês.

Anúncio fora do assunto rende clique baixo e leitor irritado. O anunciante não renova, e a edição gastou crédito com quem lê pra não levar nada.

O pacote de quatro semanas fechava antes da primeira prova. Vendia-se o mês inteiro de uma vez, com desconto, pra garantir a receita antes que o anunciante mudasse de ideia.

Sem uma inserção medida, o desconto sai no escuro. Se o resultado vem bom, a casa fica presa ao preço menor por quatro semanas seguidas.

 
 

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O clique de apoio mantém a edição gratuita

III  O Que Mudou

A tabela nasceu do clique, não do tamanho

 

O preço parte de quem abre, não de quem assina. As três mil e setecentas aberturas médias viraram a base de cálculo, e o total de assinantes saiu da proposta.

O anunciante entende o número na hora. Ele compara com o que já paga por visita comprada e vê se a conta dele fecha.

Cada posição tem preço próprio, medido em clique. Topo por trezentos e trinta reais, miolo por duzentos e vinte, rodapé por cento e vinte.

Os três preços saíram do que cada altura entregou em quatro edições medidas: cento e trinta e dois cliques no topo, noventa e seis no miolo, quarenta e um no rodapé.

O custo por clique fica entre dois reais e vinte e nove centavos e dois reais e noventa e três centavos nas três posições.

A tabela mora numa página aberta, com data. Preço, posição, aberturas médias do mês e custo por clique de cada altura ficam publicados pra quem quiser ler antes de perguntar.

Quem pergunta o preço recebe um endereço, não um número inventado às nove e quarenta da noite. A conversa começa no que está escrito.

A primeira compra é uma inserção só, no preço cheio. Pacote fechado entra em cena depois que o anunciante viu o próprio resultado, nunca antes.

Desconto existe a partir de três inserções contratadas juntas, e ele é de dez por cento, escrito na mesma página. Abaixo do piso publicado nenhuma posição sai, nem no telefone.

O relatório sai em setenta e duas horas. Aberturas da edição, cliques do bloco e o print de como ele apareceu na caixa do leitor.

Três dos quatro anunciantes que receberam relatório voltaram a comprar. Número entregue no prazo vale mais que qualquer desconto oferecido na proposta.

Anunciante fora do tema recebe não. Produto que a lista não usa não entra, mesmo com a verba aprovada e o pagamento adiantado.

A recusa sai com indicação de outra casa quando cabe. O anunciante volta com um produto que serve, e o leitor não paga a conta de um bloco que não tinha nada a ver com ele.

O preço de um espaço não vem do tamanho da lista, vem do clique que aquela altura da edição entrega. Uma tabela escrita numa página devolve a resposta no mesmo minuto e tira quinhentos reais por mês da mesa da negociação.

 

Abra o relatório da última edição enviada e anote quantas pessoas abriram. É a base de cálculo do preço, não o total de assinantes.

Escolha uma edição já enviada e conte os cliques do link do topo, do miolo e do rodapé, separados. Divida o preço que você cobraria por cada um dos três números.

Escreva a tabela numa página só: três posições, três preços, as aberturas médias do mês e o custo por clique de cada altura.

Responda a próxima cotação com o endereço da tabela no lugar de um número improvisado. Deixe o piso por escrito antes da próxima mensagem noturna.

 
 
 
 

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Quiz da edição

Nas quatro cotações da mesma posição de anúncio, feitas no mesmo mês por anunciantes diferentes, qual foi a variação no resultado entregue e no preço pedido?

A90 cliques de diferença, e o preço subiu junto com o resultado
B15 cliques de diferença, e o preço pedido variou mais de três vezes
C3 cliques de diferença, e o preço ficou igual nas quatro cotações
D60 cliques de diferença, e o preço caiu a cada nova cotação

Resultado da última edição: 33% acertaram.

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