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Edição 126 · Aquisição

O formulário aceita endereço que não existe

Três checagens no próprio campo antes de aceitar o cadastro.

 
 

I. O cadastro entra, a primeira edição não chega

O formulário de cadastro é a porta mais barata da operação. Um campo, um botão, e o nome entra na lista sem que ninguém confira nada além do formato do texto digitado.

O campo padrão do navegador olha uma coisa só: se existe uma arroba e um ponto depois dela. Qualquer texto que respeite o desenho passa direto pra dentro.

"[email protected]" passa. "[email protected]" passa. "[email protected]" passa. Os três viram assinante no painel, e nenhum dos três existe do outro lado da arroba.

O tráfego pago piora a conta. O leitor está no celular, com teclado pequeno, no meio de um scroll, e digita com o polegar num campo que não perdoa uma letra fora do lugar.

Tem também o endereço corporativo do emprego anterior. O domínio existe, o servidor responde na hora, e a caixa foi desligada no dia em que a pessoa devolveu o crachá.

E tem o descartável, o domínio de caixa temporária criado pra pegar uma isca e evaporar em dez minutos. Ele aceita o primeiro email e some antes do segundo.

Numa campanha nossa, 2.300 cadastros entraram por anúncio em três semanas. 980 nunca receberam a primeira edição, e o painel continuava mostrando os 2.300 como se estivessem todos lá.

O estrago não fica com o leitor. Ele cai na conta de quem envia, em forma de erro permanente, o bounce duro que o provedor registra no histórico do seu domínio.

O provedor lê taxa de bounce como sinal de lista comprada ou de higiene ruim. Acima de 2% já pesa no Gmail, e acima de 5% a entrega da base inteira começa a cair junto.

O custo dobra em silêncio. Você pagou custo por lead num endereço que não existe, e depois paga a assinatura da plataforma pelo mesmo endereço, todo mês, enquanto ele estiver na base.

Confirmar por email parece resolver e não resolve. O pedido de confirmação sai pro mesmo endereço errado, volta com o mesmo erro permanente e registra o mesmo bounce na sua conta.

Pior: o leitor real que digitou uma letra a mais nunca recebe o pedido de confirmação, não confirma, e sai da lista como se tivesse desistido. Confirmação prova intenção, não prova que a caixa existe.

 
 
 
 

II. O que a gente fazia com o endereço que chegava

A gente aceitava tudo que tinha arroba. A validação era a do navegador, sem regra nenhuma nossa por cima, e qualquer texto com o desenho certo virava assinante no mesmo segundo.

A primeira edição daquele mês saiu com 6,2% de erro permanente. A entrega caiu pra 89% e o Gmail passou a mandar pra promoções o que antes chegava na caixa principal.

A gente usava a confirmação por email como filtro de qualidade. A ideia parecia limpa: quem existe confirma, quem não existe fica de fora, e a lista se higieniza sozinha sem trabalho manual.

O pedido de confirmação bateu nos mesmos endereços quebrados e gerou o mesmo bounce, só que uma hora antes. E 340 leitores reais que erraram uma letra ficaram de fora sem nunca saber que tinham errado.

A gente limpava a base uma vez por mês. Relatório de bounce aberto na última sexta, endereços com erro permanente removidos na mão, planilha fechada, próximo mês.

A limpeza chegava sempre depois do sinal. Quando o endereço saía da lista, o provedor já tinha somado quatro envios de bounce ao histórico do nosso domínio.

A gente tratava caixa descartável como assinante normal. Ninguém olhava o que vinha depois da arroba, e nove domínios de email temporário conviviam com o resto da base sem levantar suspeita.

Eram 1.100 endereços com abertura zero em quatro meses. Além de não abrir nada, eles puxavam a média de engajamento pra baixo e entravam na conta da fatura da plataforma todo mês.

A gente media o anúncio pelo custo por lead do painel. O número aparecia bonito, R$ 0,71 por cadastro, e a decisão de escalar saía direto daquela tela, sem passar por mais nada.

Descontando quem não recebeu a primeira edição, o custo por leitor que existe era R$ 1,63. A campanha que parecia a melhor do mês era justamente a que trazia mais endereço quebrado.

 
 
 
 

III. O que mudou quando a gente passou a checar no próprio campo

Primeiro a gente checa a sintaxe de verdade, não só a arroba. Uma regra própria rejeita espaço, acento, arroba dupla, ponto no fim do domínio e domínio sem extensão depois do último ponto.

A checagem roda no navegador, custa zero e leva milissegundos. Sozinha, ela derruba perto de um terço dos endereços quebrados antes de o botão fazer qualquer coisa.

Depois a gente consulta o registro MX do domínio antes de aceitar o cadastro. Uma consulta de DNS pergunta se aquele domínio tem servidor de email publicado, e a resposta volta em menos de meio segundo.

Domínio sem MX não recebe email de ninguém. "gmial.com" e "hotmial.com" caem na hora, e a maior parte do bounce duro some antes mesmo de existir.

A gente sugere a correção em vez de recusar em silêncio. Quando o domínio digitado fica a uma letra de um domínio conhecido, o campo pergunta se a pessoa quis dizer gmail.com.

Setenta e um por cento aceitam a sugestão com um toque. O erro de digitação vira cadastro válido em vez de nome perdido, e o leitor real entra na lista sem precisar refazer o caminho.

A gente bloqueia domínio descartável por lista atualizada. Uma lista pública de caixas temporárias fica no servidor, é conferida a cada cadastro e recebe atualização toda semana.

O bloqueio pega perto de 3% do que entra por anúncio. Nenhum desses endereços tinha aberto uma edição sequer no histórico, então não existe leitor real perdido no corte.

A gente confere a caixa no servidor quando o volume justifica. Um serviço de verificação pergunta ao servidor de destino se aquela caixa aceita mensagem, endereço por endereço.

É o único jeito de pegar o alias desligado em domínio válido, que passa na sintaxe e passa no MX. A checagem é lenta demais pro formulário, então roda na importação de lista e antes de campanha grande.

A gente deixa o campo checar enquanto o leitor digita, não depois do envio. O aviso aparece assim que o cursor sai do campo, com o texto do erro colado no campo que errou.

A conversão da página caiu 0,4 ponto no teste de duas semanas. O ganho de entrega pagou a diferença dentro do mesmo mês, mas o número precisa ser medido na sua página, nunca presumido.

A gente mantém a confirmação por email, só que depois da checagem. A ordem virou conferir se a caixa existe, aceitar o cadastro, e só então pedir a confirmação de quem entrou.

Confirmação e checagem resolvem problemas diferentes. Uma prova que a pessoa quis se cadastrar, a outra prova que a caixa existe, e a segunda precisa vir antes pra primeira não gerar bounce.

A gente olha o bounce por origem de cadastro, e não pela média da base. Cada formulário grava a origem num campo próprio, e o relatório de erro permanente é quebrado por origem antes de ser lido.

Um criativo sozinho trazia 9% de bounce e foi pausado no mesmo dia. A média da conta escondia o problema, e o bounce da base caiu de 6,2% pra 0,7% em seis semanas.

 

Teste de hoje

Abra o seu formulário de cadastro e envie "[email protected]". Se o cadastro for aceito, o seu campo confere desenho e não confere existência.

Pegue os 200 cadastros mais recentes, separe o que vem depois da arroba e consulte o MX de cada domínio da lista. Conte quantos não têm registro publicado.

Puxe o relatório de erro permanente dos últimos 30 dias e divida o número pela origem de cada cadastro. A campanha culpada quase sempre aparece sozinha no topo.

Procure na sua base os cinco domínios de caixa temporária mais comuns do mercado. O número que aparecer é o tamanho do bloqueio que você ainda não tem.

Refaça a conta do seu último anúncio dividindo o gasto pelo número de gente que recebeu a primeira edição, não pelo número de cadastros que o painel mostrou.

Por último, escreva o teto de bounce que faz você pausar um criativo. Um número decidido antes evita a discussão sobre desligar justamente o anúncio que mais traz nome.

 
 
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BA confirmação por email, que só sai depois do endereço já estar na lista
CA consulta ao registro MX do domínio digitado, feita antes de aceitar o cadastro
DA limpeza mensal da base, feita quando o relatório de bounce fecha o mês

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